No Oeste do Pará, a Floresta Amazônica é um tapete verde de dimensões colossais. Em meio à vastidão uniformemente verde da floresta, há os rios gigantes da Amazônia. E no meio dessa monumental riqueza encontram-se cidades, vilas, povoados que encontraram à margem dos rios um porto seguro para milhares de amazônidas.
Pois, de tanto ouvir falar destes lugares, em agosto de 2026, depois de longo estudo e planejamento logístico, embarquei para lá. É um voo sofrido, mais distante e demorado que sobrevoar o Pampa e ir para Buenos Aires ou atravessar a Cordilheira dos Andes e ir para Santiago. São duas conexões, horas de espera em aeroportos em Brasília e Belém até o pouso em Santarém, um dos lugares de onde se parte para a imersão na Amazônia.
Desta
vez, escolhi o distrito de Alter do Chão, à margem do rio Tapajós, como base
para os passeios. São dezenas. Dentre eles, chama a atenção a visita às praias
do rio Arapiuns. E aqui eu falo de rios que chegam a ter 30 quilômetros de
largura, em que lanchas levam até uma hora para a travessia, apesar da força
dos motores. A essa dimensão, em muitos pontos não se avista a margem do outro
lado.
A água é límpida, transparente, quase potável, vindo das regiões protegidas da Amazônia. E é na baixa dos rios, entre os meses de agosto e dezembro, que se aproveitam mais as praias de água doce e a vida das comunidades ribeirinhas e sua gastronomia à base de peixes. E foi vendo dia após dia o pôr do sol mais esplêndido, à margem do Tapajós que curti meus minguados 15 dias de férias, que terminaram com a sensação que será necessária outra visita ao Pará.
E a essa altura me lembro da cantora mais célebre do Pará, Joelma, cantado “Voando pro Pará”. Há um trecho que diz muito sobre ir lá: "Chegou o mês de férias, vou voando para o Pará. Vou direto ao Ver-o-Peso apurar meu paladar, ficar bem à vontade e fazer o que quiser, e matar minha saudade da pupunha com café. Pois, quando chego no Pará, me sinto bem e o tempo voa."
Cultura marcante
Em agosto começam as movimentações para o lendário Festival do
Sairé, uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas da Amazônia,
promovida anualmente no mês de setembro na vila de Alter do Chão. O evento soma
mais de 300 anos de história e une rituais do povo indígena Borari, tradições
de comunidades ribeirinhas e influências católicas. Rezas, ladainhas, cortejos
e a famosa disputa entre o Boto Cor-de-Rosa e o Boto Tucuxi, que celebram
lendas locais com música, dança e grandes alegorias. Além dos Borari há outras
14 etnias indígenas na região.
Tambaqui assado na brasa, prato típico da cultura tapajônica
Experimentação sem limites
Mergulhei
de corpo e alma na culinária local. Do baião de dois à farinha de puba (feita à
base de mandioca), a culinária paraense é um espetáculo. De tambaqui, pirarucu,
surubim a tucunaré assado, tacacá, tucupi, camarão seco e jambu, arroz
paraense, maniçoba, açaí com peixe (sim, no Pará o açaí é consumido salgado e
grosso, acompanhado de peixe frito), comi de tudo e, se tivesse ficado mais
tempo, experimentaria outros pratos, que ficaram para a próxima.
Entretanto,
devo alertar a quem lê esse artigo e pretende ir ao Pará, seja Belém, Santarém,
Alter do Chão ou Belterra (também perto de Santarém): saiba de uma coisa
importante. Nos meses de agosto a dezembro, o rio baixa e é possível frequentar
as praias fluviais, um espetáculo. De dezembro a julho, os rios estão cheios,
não tem praia, mas tem navegação na floresta inundada e as cidades mantêm sua
vida rotineira e cultural. Também compensa pela imersão embarcada na floresta.
Santarém fica a uma hora e meia de avião de Belém, ou a três dias e duas noites de navio. De Santarém a Manaus, são dois dias e meio de navio. Ambos os destinos são de navegação pelo rio Amazonas. A viagem a bordo pode ser feita em cabines individuais ou redários coletivos.
O
lugar mais quente do Brasil
Por
fim, se vai ao Pará, saiba que irá para o lugar seguramente mais quente do
Brasil. Fora o momento em que o vento soprava, a sensação de calor é
permanente, de dia ou de noite, de forma que o conforto só é encontrado em dois
lugares: dentro d’água do Tapajós ou dentro da suíte, no ar-condicionado.
A
principal conclusão é que somente indo ao Pará entende-se que o Brasil é por
demais diverso. À primeira vista, a sensação é que estava em outro país. Em
comum, temos apenas o fato de falarmos a mesma língua. E o sotaque paraense
puxa ligeiramente o S em “mash”, não chega a chiar como o carioca, mas é
marcante entre os nativos.
Não há muitos mineiros no Oeste do Pará e percebi que muitos paraenses são bem curiosos em relação a Minas Gerais. Ainda bem que gostam de mineiros por lá. Provavelmente, outros conterrâneos que estiveram naquela terra deixaram uma boa imagem de nosso estado, nossa gente.
Um espetáculo de passeio, comidas típicas deliciosas. Um estado rico de belezas naturais , um aconchego para os turistas!!
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