segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A ditadura militar e a corrupção

Somente um povo semi alfabetizado poderia ignorar fatos e pedir de volta um regime totalitário de governo, marcado pelo obscurantismo.  

Os atos escabrosos da corrupção que assola o Brasil gerou aberrações que pedem a volta dos militares como salvadores da Pátria. Mas seriam esses "heróis", os santos de barro? Seria verdadeira a ideia segundo a qual não houve corrupção entre 1964 e 1985?

Querem de volta o mesmo modelo que literalmente implantou a corrupção no governo. 

O jornal "O Movimento", edição de 1976, apontou em sua manchete "Geisel em um Mar de Lama" , o jornal, ligado ao  gigante das noticias francês LeMonde, apontava mais de 2000 casos de corrupção, no período entre 1964 e 1976. 

Uma junta militar ficou responsável pelo recolhimento das publicações e a sede do jornal foi fechada por seis meses, sob a acusação de suspeita de terrorismo. Esse é um dos poucos exemplares que sobraram dessa histórica edição.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

As histórias horripilantes de um depósito de gente


Há dois anos, quando li “Holocausto Brasileiro”, um relato histórico dos mais de 60 mil mortos no maior hospício do brasileiro, esse registro remeteu-me à infância, quando vivi em um lugar que tinha como vizinho o Messias, um homem portador de sofrimento mental que vivia com sua mãe viúva e o irmão, Davi, um alcoólatra inveterado.

Além disso, minha tia Maria morava à margem da BR-262 e  às vezes ocorrida de ao fazê-la uma visita deparasse com andarilhos na rodovia, alguns dos quais com relatos de fuga do hospício de Barbacena.
Holocausto Brasileiro - uma história de terror para 60 mil seres humanos chancelada pela sociedade brasileira durante oito décadas 
De modo que Holocausto Brasileiro me trouxe à tona grandes recordações daqueles relatos e fatos estranhos vivenciados na infância.

Para minha surpresa, a obra de Daniela Árbex teve sequencia, com o documentário  homônimo, disponível no Youtube. O longa é um complemento importante para o livro. 

Recomendo a todos que primeiro leiam o livro e depois vejam o documentário, para que conheçam algo cabuloso de nossa história recente, uma tragédia ocorrida ao longo de 80 anos e com a chancela das autoridades e da sociedade brasileira.  

Mas, nada também impede que se veja o vídeo e depois se leia o livro. Segue o link a quem se interessar pelo tema. | Holocausto Brasileiro YT |.

sábado, 26 de agosto de 2017

“Jornalista não é notícia”

Devolvi nesta sexta-feira (25) às mãos do nosso editor sênior, João Senna, o livro Lava Jato, de autoria do jornalista Vladimir Netto. Caratinguense, filho da também jornalista Miriam Leitão, Vladimir reconstitui os primeiros anos da investigação que abalou as estruturas das maiores empreiteiras do Brasil e da política nacional.
Livro de caratinguense relata os bastidores dos primeiros anos da Operação Lava Jato
Tive um professor, moçambicano, José Miguel, que sempre repetia na sala que “a base da crítica é conhecimento”. Conhecer detalhes de como começou a operação comandada pelo juiz federal Sérgio Moro é determinante para entender algo que ocorre agora, quando se aproxima o ano eleitoral de 2018.

"Lava Jato" mostra como as autoridades avançaram rápido, começando pelos negócios de uma rede de doleiros, até a descoberta de um vasto esquema de corrupção em que políticos e empreiteiras se uniram para desviar recursos da Petrobras e de outras estatais. Lamentavelmente a Lava Jato tratou de casos recentes, embora alguns dos depoimentos mostrem que o esquema sangrava os cofres públicos há muitas décadas.

Premiado repórter da TV Globo, que participa da cobertura do caso desde o início, o caratinguense Vladimir Netto narra detalhes além dos que foram divulgados nas reportagens dos impressos sobre a Lava Jato. O jornalista faz questão de narrar na terceira pessoa e explica no posfácio sua decisão de não usar a primeira pessoa, uma vez que é testemunha ocular dos fatos narrados: “jornalista não é notícia”. Foi ótimo ler essa explicação, pois esse princípio basilar do jornalismo parece ter sido esquecido por muitos comunicadores da atualidade, quando vemos muitos tentando ser mais importante que a própria notícia que publica.  
O autor é natural de Caratinga e acompanha, em Brasília o desenrolar da Operação Lava Jato

E a voltar ao livro, a sua leitura nos leva a algumas conclusões. Primeiro, tudo o que se conhece dos escândalos de corrupção é pouco, em relação à realidade da atuação de corruptos e corruptores. As decisões, tanto do Ministério Público Federal quanto da Justiça Federal poderiam ter alcançado mais políticos do que alcançou.

O juiz Moro é apresentado como o herói da história, o que se evidencia pela capa do livro com a foto do magistrado em um ângulo que lembra uma escultura romana de mármore. O ministro Teori Zavascki, responsável pelos inquéritos no Supremo Tribunal Federal, é apresentado ao leitor como um “deus infalível”.

O livro, editado em 2015, não relata a estranha morte de Zavascki, ocorrida em uma queda de aeronave no litoral do Rio de Janeiro, em janeiro de 2017.

Por se esforçar em apresentar a Lava Jato como algo perfeito, não é de se estranhar que haja omissões na publicação, entre elas, contradições entre delatores, vazamento seletivo, decisões judiciais cuja legalidade é questionada (por exemplo, quebra de sigilo de escuta telefônica envolvendo familiares de investigados) e manipulação partidária de movimentos que foram para as ruas pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Enfim, o livro traz a narrativa apenas dos anos iniciais de um trabalho que se iniciou em 2009, com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina (PR), e que se estendeu para praticamente todos os estados e partidos políticos. Pode ser que as próximas edições tragam respostas às questões ainda não respondidas.

domingo, 23 de julho de 2017

Para reflexão sobre para onde vamos

O cinema indiano é mestre na arte de mostrar o sofrimento humano diante da pobreza.  "Quem quer ser um milionário" e "Lion", este disponível na Netflix,  são dois bons exemplos.  


Mas,  o mundo real também nos trazem dados dignos de uma reflexão. Veja que um estudo da ONG internacional Oxfam, afirma que 1% da população mundial possui a mesma riqueza do que os outros 99%. O relatório afirma ainda que apenas oito homens possuem a mesma riqueza que os 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade. Na última camada, uma em cada 9 pessoas vive abaixo da linha da pobreza, buscando sobreviver com menos de U$ 2 por dia.

No Brasil, a realidade não é diferente. Os 6 maiores bilionários concentram a mesma riqueza que mais de 50% da população – um total de mais de 100 milhões de pessoas. 

Neste cenário de concentração extrema, as desigualdades tornam-se cada vez mais próximas e visíveis. Exemplo dessa disparidade está no acesso à educação.

A questão é: para onde caminha a humanidade com esse modelo de concentração de riquezas?  Será que é mesmo esse o propósito do homem na Terra?  Quais os efeitos disso daqui a um século?  As respostas não existem,  mas é bom lembrar que essa era uma situação prevista na pós revolução industrial.  Seremos uma civilização cada vez mais "separados"  pela riqueza e pobreza.